Eternamente Jovem - Capítulo 5
Eu lancei Leah para o chão com facilidade antes de que ela
sequer tivesse a chance de se transformar. Ela afundou as unhas nos meus
ombros, lançando-me por cima de sua cabeça. Nós duas caímos em pé ao
mesmo tempo. Eu dei um passo para trás enquanto seu corpo inteiro
começava a se convulsionar. Eu dei a volta e a chutei antes que ela
tivesse a chance de novo de se transformar. Ela voou de costas batendo
num carvalho gigante e o partindo no meio.
“Alguém faça elas pararem!”, eu ouvi
Charlie gritar da clareira. Mas eu estava concentrada demais para
prestar atenção em qualquer outra pessoa.
“Vamos lá, Leah! Eu sei que você estava
louca pra fazer isso já por algum tempo!”,eu disse me aproximando dela.
Ela ainda estava no chão, segurando a parte de trás de sua cabeça. Antes
que eu pudesse piscar ela estava em pé, ela se transformou enquanto
avançava em mim. Ela chocou-se comigo com o topo de sua cabeça. Eu voei
para trás, mas reconquistei meu equilíbrio antes de aterrissar
suavemente em pé.
“Isso é o melhor que você pode fazer?”,
perguntei com meus braços abertos. Ela avançou em mim mais uma vez, mas
eu abri a boca rosnando. Eu deixei meus instintos me dominarem
completamente, me preparando para sentir o gosto do sangue do lobo na
minha frente.
“Não, Bella! Não!”, eu ouvi uma voz
vindo detrás de mim. A voz se aproximou, mas era tarde demais, e meus
dentes afundaram-se em…algo que não era peludo.
“AHH BELLA!”. A voz veio de Edward. Eu
soltei o que quer que estivesse na minha boca, mas antes que eu
percebesse o que era eu senti uma dor aguda no meu lado. Eu estava
voando pelos ares. Aterrissei em um arbusto, sendo rebatida para fora
dele antes de atingir o solo.
“Jacob! Você tinha que fazer isso com
tanta força?!”, eu ouvi Edward gritando enquanto eu me levantava e me
recompunha da queda.
“Bella, você está bem?”, perguntou
Edward, aproximando-se mais lentamente que o normal. Suas mãos estavam
estendidas à sua frente, prontas para me pegar se eu tentasse disparar
desviando dele.
Eu engasguei, olhando para o seu braço
esquerdo. Eu o segurei em minhas mãos, olhando mais de perto. “Era
você!”, eu gritei quando percebi que eu o havia mordido. “Está doendo?
Edward, eu sinto muito…”
“Bella, eu estou bem. Só arde um
pouco.” Edward deu de ombros, mas eu podia ver o desapontamento em seus
olhos. Eu baixei meu olhar para meus sapatos, evitando-o.
“Como está Leah?”, perguntei, sem nem
cogitar levantar o olhar.
“Ela vai ficar bem.” Sua voz estava
fria. “Bella, você está ciente de que seu pai assistiu tudo?”
Eu fechei meus olhos, desejando ter sido
capaz de controlar minha raiva.
“Eu acho que você devia pedir desculpas
para ela”.
“Eu?!”, eu gritei, levantando a cabeça
com tudo para olhar para ele. Por que eu deveria? Ela que começou.
“Sim, por favor, Bella.”
“Não. ”, eu disse, desviando-o da minha
frente enquanto passava. Ele me deixou ir, sem me seguir. Eu lancei um
olhar para Jacob e Leah, de canto de olho. Ambos ainda estavam em sua
forma de lobo.
“Bella…”, começou Charlie, enquanto eu
caminhava para a varanda.
Eu levantei minha mão para
interrompê-lo. “Me deixe em paz.” Eu caminhei para dentro da casa,
batendo a porta do meu quarto. Insatisfeita por não ter quebrado nada.
Eu pulei da porta até minha cama, aterrissando nela de bruços. Se eu
pudesse chorar, estaria soluçando.
“Bella? Hum…posso…entrar?”, gaguejou
Charlie, batendo fracamente. Quando eu não respondi, ele entrou mesmo
assim. “Você pode explicar o que fez?”, ele perguntou. Eu senti a cama
se mover, então sabia que ele havia se sentado perto de mim. Ainda com a
cabeça quente eu também me sentei sem pensar no que queria dizer.
“Leah e Seth são lobisomens como Jacob,
como você acabou de ver. E eu sou um vampiro, assim como Edward.
Vampiros e lobisomens não se misturam. E você vai se casar com a mãe de
dois deles!”, eu disse rápido demais para eu mesma sequer tentar me
deter.
“Você é o quê?”, Charlie gritou,
levantando-se. “Isso é impossível! O que ele enfiou na sua cabeça?!
Chega, você vai pra casa comigo.” Charlie agarrou meu braço, mas eu o
puxei para longe.
“Edward não está colocando coisas na
minha cabeça, Charlie. Sente minha pele? É fria, e olha aqui.” Eu peguei
sua mão e a coloquei onde meu coração deveria estar batendo. Ele deixou
a mão ali, enquanto seus olhos se enchiam de
lágrimas. Ele segurou minha mão e procurou pela minha pulsação, e a
deixou cair quando não conseguiu achar nenhuma.
“Você devia estar…morta”. Charlie
sussurrou, recuando para longe de mim. “Você não tem batimentos,” ele
engasgou, deixando as lágrimas caírem.
“Eu estou aqui, pai. Eu tive que me
transformar em alguém como Edward quando Renesmee nasceu. Eu não tive
escolha.”
“Nessie”. Ele sussurrou, olhando para a
porta fechada.
“Eu a concebi enquanto ainda era humana,
ela é meio-humana e meio-vampira,” eu disse, curvando a cabeça. “O
coração dela bate. Mais rápido do que o de um humano normal, mas bate.”
“Você vai…”, começou Charlie, mas eu o
interrompi, sabendo o que ele iria dizer.
“Eu nunca vou te machucar, pai, e nem
Edward,” eu lhe assegurei, levantando-me e caminhando na sua direção.
“Então, espere…”, começou Charlie,
soando confuso e aborrecido ao mesmo tempo. “Eu tive um vampiro em minha
casa por todos esses anos?”. Seus olhos arregalaram-se para mim.
“OH, você não faz ideia, pai”, eu disse
virando meus olhos e tentando segurar um sorriso.
“Não, eu quero ver a mamãe!”, ouvi
Renesmee chorando no corredor.
“Nessie, não! Deixe ela e o vovô
conversarem.” A voz de Edward soava dura.
“NÃO!”, ela gritou antes de empurrar a
porta. Ela parou por um instante antes de disparar pelo quarto, e
jogar-se em meus braços. Ela levantou as mãos tocando meu rosto,
mostrando-me visões de minha briga com Leah.
“Eu sinto muito.” Eu disse, beijando o
topo de sua cabeça. Fechei meus olhos apertadamente, sabendo que eu
também iria ter que explicar isso para Charlie, mas eu não tinha certeza
do quão mais ele poderia suportar. Eu tentei lhe explicar sobre nossos
poderes, mas foi mais fácil deixar que Renesmee lhe mostrasse. Ele
sentou pacientemente enquanto ela lhe mostrava visões de tudo que ela
podia se lembrar desde o dia que ela nasceu. Quando ela terminou, ela
descansou a cabeça no ombro dele. Ele a abraçou apertado, encarando a
parede na sua frente.
“Você está ok?”, perguntei, tocando seu
ombro.
“Melhor do que eu pensava.” Ele hesitou
por um momento antes de continuar. “A Sue sabe?”, ele perguntou depois
de alguns momentos.
“Sim”.
“O resto dos Cullens?”
“O mesmo que Edward e eu, ” eu deixei a
cabeça cair, envergonhada. “Eu sinto muito que você teve que descobrir.
Eu queria te poupar de tudo isso.”
“Eu estou meio que feliz, Bells. Agora
eu sei a verdade.” Ele se virou na cama de forma que agora estávamos
frente a frente. “Você estava mesmo doente quando voltou da sua
lua-de-mel?”
“Mais ou menos… Quando eu descobri que
estava, hmm…grávida”, eu hesitei na palavra, me dando conta de que esta
era a primeira vez em que eu havia realmente dito para o meu pai que eu estava
grávida, “obviamente não era uma gravidez normal, e me deixou realmente
doente. Eu não queria que você me visse daquele jeito. Principalmente
porque ela estava crescendo numa velocidade inacreditável.” Eu sorri,
tocando a bochecha de Renesmee. Ela estava se agarrando a cada palavra
que eu dizia, dado que todas estas informações eram novas para ela. Nós
nunca havíamos falado sobre a minha gravidez perto dela.
“Entendi, mas e se você não tivesse…”.
Charlie se interrompeu, apertando seu abraço em Renesmee, não querendo
assustá-la com o que ele iria dizer.
Eu apenas balancei a cabeça. “Nós já
tínhamos um plano; Edward iria me transformar assim que Renesmee tivesse
saído a salvo.” Eu não pude evitar encará-lo, esperando que ele fosse
sair correndo e gritando pela casa. E depois ri de mim mesma, pois devia
ter sido exatamente assim que Edward se sentiu quando me contou a
verdade a seu respeito.
“Você não está assustado?”, perguntei,
após alguns momentos de silêncio.
Ele olhou para mim, dando uma risada.
“Isabella, você é e sempre será minha filha. Eu faria qualquer coisa por
você. Mesmo que isso signifique amá-la como… bem… como você é.” Ele
hesitou. Eu acenei com a cabeça uma vez, assegurando-lhe. Ele me deu um
meio-sorriso, baixando os olhos para Renesmee. “Eu teria feito a mesma
coisa se estivesse no seu lugar. Não existe nada que um pai não faria
para proteger seu filho.”
“Você não faz idéia”, eu ri, deixando o
clima mais leve.
“Bells, eu não sei exatamente o que está
acontecendo entre você e Leah, mas ela vai passar a ser parte desta
família.”
Eu me encolhi ao ouvir suas palavras.
“Eu sei, e eu sinto muito por ter agido daquela forma. Leah e eu
resolveremos as coisas entre nós. Eu prometo.” Eu sabia que tinha que
fazer isso pelo meu pai. Era o mínimo que eu podia fazer, com ele sendo
tão calmo a respeito de tudo isso.
Quando nós caminhamos para fora da sala,
todos estavam amontoados no corredor estreito, obviamente escutando.
Edward e Jacob eram os que estavam mais próximos da porta do quarto, com
Seth logo atrás. Sue estava com Claire no colo. “Onde está Quil?”,
perguntei, tentando procurar no meio de todos.
“Lá fora com Leah,” Edward disse,
tentando ver dentro dos meus olhos.
“Está tudo bem.” Eu lhe assegurei,
tocando sua bochecha.
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